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Matéria Especial na Revista de Cinema

Leia trecho do texto de Heitor Augusto para a REVISTA DE CINEMA a respeito de Super Nada:

A ambiguidade já está no título: “Super Nada”. De um lado, excesso. Do outro, coisa alguma. Não é um acaso, mas sim o incentivo à dúvida. Confundir a real natureza dos personagens e colocar falsos atalhos no caminho que o espectador tem de seguir dentro do filme é possivelmente o traço mais forte dos dois longas de ficção de Rubens Rewald.

(Heitor Augusto)

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Laísa Trojaike, do site cinema10.com.br, escreveu sobre Super Nada

Confira um trecho do texto de Laísa Trojaike, do site cinema10.com.br, sobre Super Nada.

Reclama-se, muito comumente, que o nosso cinema nacional não possui identidade. Por vezes é tragado pelo hollywoodianismo, por vezes, quando tenta se livrar dessa linguagem, acaba por copiar os moldes de outros diretores, sejam eles autorais ou não. Quem é incapaz de fazer o seu próprio cinema, aqui no Brasil, geralmente esquece que nossa realidade gera a nossa identidade.

Rubens Rewald, que escreveu Super Nada e dirige o filme ao lado de Rossana Foglia, não esqueceu desse detalhe essencial. Super Nada não tem moldes, pois é cinema genuíno. Ainda que herde da história do cinema a sua linguagem básica, uma obra de verdadeiro ineditismo surge com essa produção.

(Laísa Trojaike)

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Heitor Augusto, crítico da Revista Interlúdio, analisa Super Nada

O crítico Heitor Augusto, da Revista Interlúdio, escreveu sobre Super Nada. Veja um trecho do texto dele:

Seria Guto um ator top de linha? Não há certeza. Marat Descartes, que dá corpo e vida ao personagem, é sim um grande ator, mas Guto está cercado, em Super Nada, por uma nuvem de ambiguidades que embaralha os porquês da sua vida ainda mambembe. (…) Guto é, além de retrato de quem vive as agruras do circuito off teatral, um arejamento para outros níveis de identificação. Guto poderia ser eu ou você.

(Heitor Augusto)

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A crítica de teatro Beth Néspoli fala de SUPER NADA

Texto da crítica teatral Beth Néspoli a respeito de Super Nada:

“Saí de Super Nada afetada. É daqueles filmes que permanecem com a gente por um bom tempo. E o valor de uma obra de arte está nas reflexões que provoca, não é? Por outro lado, a amplitude do debate não depende unicamente do potencial da criação, mas das possibilidades de sua partilha no espaço público. Sabemos todos dos problemas do circuito exibidor. Se o filme circula pouco, também recebe menos críticas, questões que poderia suscitar não vêm à tona. Seu filme fala também disso. O reduzido número de salas de cinema onde o filme está sendo exibido é um dos motivos que me levam a querer jogar na roda mais um ponto de vista de espectadora, mais uma leitura entre tantas outras que seu filme pode propiciar.
Para mim, o primeiro grande acerto está na escolha do ator. Na saída do cinema, tomada pelo filme, pensei em Bergman, que podia se dar ao luxo de dar um close num rosto e dizer muito, tocar profundamente, por meio do silêncio expressivo de um intérprete. Marat Descartes é um ator dessa envergadura. Posso ter dúvidas quanto às leituras que faço do filme, mas não tenho dúvida de que a densidade alcançada deve muito ao trabalho de Marat.
Assim, logo nos primeiros minutos de filme, a atuação de Marat informa que estamos diante de um homem emocionalmente carregado, mobilizado por uma inquietação intensa, mas não explicitada, uma angústia na qual somos levados a acreditar, mas cujos motivos o filme não entrega facilmente – uma das qualidades do roteiro. E somo conduzidos a buscar a explicação nos fragmentos de sua vida compartilhados pela câmera, que ora o observa, ora observa com ele a paisagem da cidade, muralhas de concreto cinza que a um só tempo abrigam e isolam as pessoas; ruas desertas, sujas e escuras nas quais um homem pode agonizar invisível na sarjeta junto com o lixo. Em muitos momentos, a câmera conduz nosso olhar pelos remendos do sofá, pelas cortinas puídas, pela exiguidade do espaço no qual o ator vive. Imagens que parecem pedir a associação entre angústia e precariedade de recursos materiais. Afinal, o sistema capitalista, no qual estamos todos imersos, quer nos convencer de que a felicidade pode vir de um sofá novo. E, por mais que neguemos, conseguiram nos convencer de que nada de bom pode acontecer a alguém alijado do consumo ao ponto de ter de escorar o pé do sofá com livros. A maioria das famílias passa bem sem livros, mas um sofá quebrado vale o risco de prestações a perder de vista. “Os objetos se constituíram a substância do mundo” – é a inscrição que pode ser lida pelo espectador no percurso do espetáculo do Teatro da Vertigem, Bom Retiro, 958 metros, e que me veio à cabeça ao ser obrigada pela câmera a ver e ler a precariedade, a pensar sobre ela. Mas, ao longo filme, o sofá velho abriga bem o corpo cansado, pode abrigar um amigo que não consegue voltar para casa, o chuveiro substitui sem grandes problemas a torneira emperrada, na escovação dos dentes, assim como propicia o prazer do banho. E o apartamento reduzido serve como lugar de ensaio e criação, e também de troca afetiva. Não, a precariedade é um dado, mas é também uma falsa pista. O buraco é mais embaixo.
O protagonista é um brasileiro pobre, como muitos outros, com um projeto de vida: escolheu ser um artista, um palhaço. E o filme dá pistas de que ele leva a sério tal escolha. Investe tempo e dinheiro no aprimoramento de seu instrumento de trabalho, faz aulas de preparação corporal, dedica boa parte de sua energia vital a planejar um roteiro para um ‘número’ a ser realizado por uma dupla de clowns, ensaia com afinco e frequência na sala de seu apartamento. Acompanhamos sua luta contra limites internos e externos: o corpo que dói ao executar o que a mente desenhou, as ideias que burila o tempo todo, a forma ainda distante do desejado, o parceiro que falta ao ensaio. Não consigo ver nada que faça dele um sujeito “em busca de um lugar ao sol, leia-se TV”, como disse alguém. Participar de pegadinhas para a TV e testes para comerciais são trampos, modos de ganhar algum dinheiro para sobreviver. Não por acaso o filme faz questão de mostrar o vencedor do teste de comercial de desinfetante, cuja atuação é de um ridículo que tem tudo de submissão às regras da produção e nada do humor subversivo do palhaço. Na minha leitura, a reprovação do protagonista tem a ver com dignidade, e não com incapacidade. É possível ler diferente, mas talvez porque tal resistência não seja sublinhada pelo diretor, não ganhe tratamento heroico. A atitude do ator parece resultar menos de decisão e convicção e mais do sentimento difuso que paralisa. É uma resistente vacilante, mas afinal o dinheiro do trampo não se destinaria a comprar sofá, mas serviria para tomar menos dinheiro da mãe que já sustenta a filha que é dele.
Interpretado por Jair Rodrigues, o Super Nada do título parece surgir para rasgar mais fundo a superfície do traçado. Trata-se de um cômico, que protagoniza um programa de TV de quase nenhuma repercussão, em uma emissora sem audiência e sem relevância. Quando o ator comenta com a namorada, Clarissa Kiste também em ótima atuação, que recebera o convite para fazer uma participação no programa do Super Nada, ela pergunta: “Ainda existe?” Supunha que a indústria do entretenimento já tinha descartado o humorista como um sofá velho. Mas o convite o afeta. Super Nada é o ídolo de infância, muito provavelmente o responsável pelo primeiro encantamento pela arte do palhaço, o artista que definiu seu projeto de vida. É o que se deduz não tanto das palavras, mas da eloquência de um longo olhar de admiração, terno e quase infantil, lançado pelo protagonista ao Super Nada em uma cena silenciosa – e aí, mais uma vez, o talento expressivo de Marat faz a diferença. Esse laço afetivo, antigo e estreito, talvez explique o grau de explosão da violência mais adiante. A decadência do ídolo já era evidente quando o ator teve de carregá-lo, bêbado, para sua casa. Acomodá-lo no seu é um gesto carinhoso e de deferência ao passado, muito mais do que submissão rebaixada ao ídolo da TV. Porém, ao chegar ao apartamento carregando Super Nada quem o espera é a namorada que, como o velho ídolo, é já outra, mas ele não sabe. Como ela não diz o que a perturba, não expressa o motivo de seu ressentimento, tudo o que ele consegue perceber é que ambos – Super Nada e ela – se unem contra ele num exercício de tirania afetiva. Juntos, ela e o comediante encenam um teatrinho rebaixado, cujo único objetivo parece ser o de feri-lo. O revide é violento, porque ultrapassa a banalidade da cena e dos opositores, algo mais fundo foi atingido.
A ferida é funda, chega a desestabilizar a cumplicidade e a integridade mantidas na relação com a mãe (Denise Weinberg). Mãe que sem o saber será também o canal da cura, uma vez que ela lhe dá a notícia do gesto digno de Super Nada e assim abre caminho para a reconciliação do ator com o seu modelo de infância. E, por tabela, com sua arte. A risada de sua filha diante da TV o leva de volta ao ponto de origem. Na cena final vê-se um artista feliz com a cena tola que está prestes a gravar. Sabemos que uma criança vai rir com ela, o filme nos deu essa certeza pouco antes. É pouco? Certamente é maior sua ambição. Mas o que mede o valor de um artista? É a pergunta que o filme nos faz. O alcance da veiculação? O aplauso do público? A pergunta vale para o filme. Não é perfeito, mas é provocador. Vi numa tarde de sábado em uma sala de cinema quase vazia.
O filme retrata um impasse e deixa perguntas ressoando no espectador. O que aquele ator deveria fazer para tornar potente sua arte? Talvez não por acaso, o convívio com os pares em encontros um tanto autofágicos seja a parte menos potencializada do filme. Como romper os limites do gueto e atravessar o latifúndio da indústria cultural? E com o quê atravessar, com qual criação? São perguntas que se articulam em uma trama na qual estão enredados o filme e os espectadores, todos nós.”

(Beth Néspoli)

José Geraldo Couto fala sobre Super Nada

Trecho do texto de José Geraldo Couto a respeito de Super Nada:

O grande achado dramático do filme, como muito já se disse, foi a escalação do cantor Jair Rodrigues como um veterano cômico de TV, fazendo o contraponto com o protagonista Guto. Um, iniciante, almeja o sucesso que o outro, decadente, hoje só vê pelo retrovisor.

(José Geraldo Couto)

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