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Entrevista – Marat Descartes (Guto)

1) Como surgiu o convite para fazer o Super Nada?

Eu e o Rubens já nos conhecíamos há um bom tempo. Ele é muito próximo da minha mestra da EAD/USP, a Cristiane Paoli-Quito. Num primeiro momento fiquei um pouco em crise com o personagem, achando que não tinha mais idade para fazer o papel. O Guto é um ator que ainda está patinando na carreira e na vida, e eu já estava num momento da minha carreira mais estruturado. Tinha um lugar estabelecido no teatro e no cinema. Mas depois de refletir, cheguei a conclusão de que não existe idade para viver esse tipo de situação. Vi no Guto quase que um arquétipo do ator nessa loucura da cidade grande.

2) Qual é a sua relação com a cidade de São Paulo, talvez o personagem que você mais contracena no filme?

Eu adoro São Paulo, nasci e cresci na Vila Madalena. Foi em SP que construí minha história, e é onde tenho minha carreira solidificada e reconhecida. Tenho uma ótima relação com a cidade, a loucura e a correria eu tiro de letra. Creio que para além da desventuras de um ator, o filme trata sobre como é sobreviver na cidade. Desde o início do processo o Rubens reiterava que o filme tratava ao mesmo tempo das dificuldades de inserção na carreira um ator, como de qualquer profissão. Vemos no filme uma cidade que engole os desejos e as perspectivas das pessoas. Mas ao mesmo tempo existe um olhar de admiração pela cidade, ela acolhe os personagens. A cidade pode ser cinzenta e melancólica, ao mesmo tempo é possível encontrar cor e beleza através da cultura urbana, refletida nos grafites.

3) O Rubens tem uma visão de que o cinema é sempre um processo colaborativo. Você sentia que tinha liberdade e interlocução com os outros membros da equipe?

Sim, ganhando experiência no cinema, a criação coletiva é um dos aspectos de que eu mais gosto. Criar quadro a quadro com toda a equipe é uma espécie de artesanato feito a várias mãos. E sendo o Rubens parceiro de longa data, tínhamos um diálogo muito aberto. Nós todos tínhamos liberdade para propor de um tudo, de como o ator se insere naquele plano, o que aquela cena significa dentro do roteiro, etc. Nesse sentido, poderia dizer que o Super Nada é um filme co-autoral.

4) O que você acha que dá para trazer do teatro para o cinema? Você tem alguma preferência de um meio em relação ao outro?

Acho uma coisa completamente diferente da outra, mas não tenho nenhuma preferência. As duas linguagens tem seus prós e contras. No cinema cada plano é uma oportunidade de você trazer novas informações, outro conteúdo, de reinventar seu personagem. Ao SN_Marcos_Camargo-8070passo que no teatro, uma vez que você ensaiou a peça toda, nosso personagem muda pouco ao longo da temporada. Comecei a fazer teatro com 14 anos, e nunca mais parei. Quando estava me formando na faculdade tive vontade de fazer cinema, mas achava muito estranho aquela câmera na minha frente e todas aquelas pessoas ao meu redor. No cinema você deve ter a atenção redobrada. Devemos ser capazes de nos distanciar de tudo aquilo que está em volta, e ao mesmo tempo estar completamente dentro da cena, do personagem… São facetas diferentes que me fazem gostar muito das duas linguagens.

5) Como foi dividir a cena com o Jair Rodrigues?

Foi delicioso, o Jair no set é diversão garantida. E nós tivemos essa importante preparação com a Quito. Ele se mostrou sempre muito aberto e disponível. O personagem do Jair apareceu como um contraponto do meu personagem e acho que isso fez muito bem para o filme.

6) Você chegou a assistir um corte intermediário do filme?

Eu insisti muito com Rubens para poder ver o filme no meio do processo de montagem. Ele acabou deixando e eu nunca me arrependi tanto… Eu estranhei muito aquele filme em corte seco, sem muito ritmo, sem música, sem marcação de luz. Achei meu personagem meio pesado, triste, melancólico. Fiz vários comentários para o Rubens, que agradeceu e me disse que aquilo que eu havia dito só reforçava a imagem dele sobre o filme, ou seja, totalmente o contrário do que eu havia dito. Mas quando o assisti em tela grande tive uma surpresa maravilhosa.

7) O que você achou do resultado final do filme?

Atuar no Super Nada teve um sabor muito especial. Primeiro porque contracenei com minha filha, Lygia, que acabou fazendo o papel de minha filha no filme, minha esposa também participou, e por fim, meu melhor amigo faz o papel do meu parceiro de Clown. Eu me senti em casa. Quando assisti ao filme em Gramado a surpresa foi muito grande. Era um filme completamente diferente daquele eu tinha visto na metade do processo, a montagem transformou o filme. E achei o máximo, adorei.

8) Neste ano você estará em 7 longas que entrarão em cartaz. Quais são seus próximos planos, alguns outros filmes em vista?

Nos últimos tempos fiquei um ano e meio trabalhando só com cinema, por isso terei tantos frutos a colher em 2013. Nos meus 20 de anos de carreira, nunca tinha ficado mais de um trimestre sem fazer teatro. No final do ano passado me convidaram para participar de uma peça que já está em cartaz, O Terraço, e eu topei. Além disso, aprovei duas peças num edital, um juvenil que irei adaptar e dirigir e, um monólogo que irei interpretar. Ou seja, nesse primeiro semestre resolvi matar a saudade do teatro.

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